Parques e Áreas de Lazer

Nem toda área verde é igual


Não é porque São Paulo é chamada “selva de pedra” que precisamos gostar só de cinza.

O verde acalma, neutraliza e traz um pouco de vida, pra qualquer lugar. E não vale dizer que a casa é pequena, que não “tem jeito pra plantas”. Esse é justamente o desafio: fazer pequenos milagres verdes – jardins que cabem no ambiente e ali se sentem bem e se desenvolvem!


Vaso de Suculentas.

Foto: Rafael Sorrigotti

Mas também não são apenas vasinhos e pequenos jardins que satisfazem um bom paulistano. A gente trabalha duro na semana, enfrenta trânsito e um bando de dificuldades, mas o parque do fim de semana é sagrado! E olha que opções na cidade não faltam, quer ver só?

A começar pelo Ibirapuera; ou, para os íntimos, Ibira! Inaugurado em 1954, com diversos marcos da arquitetura, paisagismo e obras de arte espalhadas pela maior área verde de lazer da cidade – nomes de peso como Niemeyer, Burle Marx. Um complexo de 158 hectares de caminhos, quadras, museus, restaurantes e inúmeras áreas multiuso e de estar. A hora que for, tem sempre alguém correndo, pedalando, patinando ou apenas assistindo o pessoal focado na saúde e bem estar. Um parque democrático, como deve ser.


“A grande chance”: neon, durante a SP-Arte, 2017.

Foto: Rafael Sorrigotti

Tem parque pra todos os estilos: na zona sul o charmoso Parque Burle Marx – repleto de espelhos d’água e murais assinados pelo arquiteto paisagista –, o badalado Villa Lobos – cheio de atrações e com pistas intermináveis pra quem gosta de andar de bicicleta –, o Parque da Água Branca – com sua implantação numa antiga fazenda, ainda guarda muito de sua origem com animais silvestres e arquitetura de estilo normando com referências românticas –, o clássico Parque da Luz às voltas da suntuosa Pinacoteca, o carregado de histórias e super contemporâneo Parque Carandiru, além dos gigantes Parque do Carmo e Parque Ecológico do Tietê. De estilos bem diferentes, os paulistanos adotam em suas rotinas conforme a atividade que buscam.

Há ainda bons exemplos de áreas verdes menores, como praças, que atendem à demanda por lazer numa escala mais local. Em São Paulo tem alguns exemplos dessas pequenas notáveis: a Praça Rotary e o Parque Buenos Aires acabam organizando os fluxos da região e servindo como um respiro em meio aos prédios da Vila Buarque e Higienópolis. Já o Parque Zilda Natel, na Av. Dr. Arnaldo, é um exemplo de pura criatividade num lote super pequeno: um espaço cheio de quadras e áreas para skate que se apropriou do grande desnível existente no terreno. E a praia? Pois é, em plena Bela Vista – no cruzamento das ruas Santa Madalena com a Dr. Alfredo Lellis – tem uma praça com areia, cadeiras e clima de praia, faltou só a água salgada! Na região da Vila Madalena, um bom exemplo de área verde literalmente abraçada pela população: Praça Horácio Sabino, que foi toda reformada após a organização dos moradores da região para o levante de fundos para reforma da praça – e o mais legal: revitalizaram o espaço conforme o projeto original, da arquiteta e paisagista Rosa Grena Kliass, datado de 1960.


Parque Minhocão.

Foto: Rafael Sorrigotti

E como São Paulo não aceita ser uma cidade comum, quando se fala em parques e áreas de lazer, inova também. Sem a grandiosidade do projeto urbano e paisagístico do High Line de Nova Iorque mas com a ideia de um novo uso para um elemento urbano cheio de opiniões, o Parque Minhocão cresceu e vem ganhando espaço e notoriedade – na mídia, com os moradores da região e na Prefeitura. A ocupação leva bicicletas, cachorros, água de coco e muita gente para curtir mais esses espaços da cidade. Uso parecido com o que acontece aos domingos na Avenida Paulista. Um movimento importante em que as pessoas tomam conta dos espaços públicos e, através do uso de fato, pleiteiam junto ao poder público melhorias e qualificação dos espaços. Assim a cidade cresce e se desenvolve do jeito certo: como os próprios usuários desejam.

Por Rafael Escrivão Sorrigotto